sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Por vezes para ser feliz é preciso desapego


"Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
                  (Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
                  Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansar-mo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
                  E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
                   E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
                   Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
                   Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois
sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
                    Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
                    Pagã triste e com flores no regaço."

Ricardo Reis
http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/v319.txt


Reflexão pessoal







Este Poema ensinou-me que a vida é tão fugaz, passa tão rápido que não adianta agarrar-mo-nos às coisas porque poderão provocar sofrimento na hora da despedida, tanto para quem vai como para quem fica. Por isso sejamos livres, libertos das coisas, assim somos mais felizes até mesmo quando há despedida. Não adianta ter a ideia de que possuímos inúmeras coisas ou de que tudo dura para sempre porque isso é mentira, tudo tem um início e um fim, por isso basta viver feliz entre o inicio e o fim de uma forma livre, desapegado às coisas, porque sabemos que quando elas começam, um dia irão acabar e para não sofrermos basta apenas não agarrar-mo-nos às coisas. Assim somos felizes desde o início até ao fim. Esta aprendizagem proteja-se para a vida. Como e de que forma podemos vivê-la? 
Desta forma e neste exemplo pode-se fazer a separação entre a teoria e a prática. Pois ao longo de toda vida é preciso esta barreira entre a teoria e a pratica. Mas isto aprende-se vivendo.  

Carlos pascoal

Poema de Álvaro de Campos


A poesia é um texto por vezes complexo e de difícil compreensão mas que diz muito. Eu pessoalmente gosto muito de poesia e em particular a de Fernando pessoa e dos seus heterónimos pelo simples facto de me identificar com a sua escrita e partilho por vezes da mesma opinião do poeta. Por essa razão e por partilhar da mesma opinião do poeta, partilho este poema que posso dizer que lê a minha alma hoje.
Toda a poesia para mim é uma grande fonte de aprendizagem pois a forma como ela transmite ideias, valores, opiniões, obrigam-nos a pensar e repensar, fazer um esforço para perceber aquilo que o autor quer dizer mas também o esforço de perceber o que é que ela tem a dizer sobre a nossa própria vida. A aprendizagem realizada através da poesia é interessante, na medida em que, a idade influencia a forma de sentir, de aprender e vivênciar a aprendizagem feita. 






"O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço..."

                      Álvaro de Campos

http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/v275.txt

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

reflexão da aula

Será que um aluno que frequenta um curso geral é superior a um aluno que frequenta um curso técnico profissional ? claro que não. Apenas cada aluno escolheu o seu caminho para chegar onde quer. Os preconceitos em relação aos alunos que escolhem o caminho do ensino técnico não fazem sentido todos os alunos devem ser vistos como iguais mas que percorreram caminhos diferentes mas todos eles devem ter as mesmas oportunidades. Não é por um aluno ter escolhido um ensino geral, que socialmente é visto como um aluno com mais capacidades, deve ter mais direitos e mais oportunidades em relação aos alunos que escolheram um ensino mais prático, que socialmente são vistos como alunos com menos capacidades. Todos alunos devem ter as mesmas oportunidades e varias escolhas e cada um é livre de escolher o caminho que considera mais fácil ou o que mais o preenche para atingir o seu objectivo. A escolha é de cada um de seguir o caminho que quer visto que todos têm e devem ter as mesmas oportunidades.

Opinião:
Foi este o tema que surgiu numa aula, no qual se revelou muito interessante, pois possibilitou a toda a turma uma aprendizagem no sentido em que abriu mentes e alterou formas de pensar. Este acontecimento foi apenas um exemplo de uma aprendizagem que pode ocorrer num contexto informal.
Apesar do tema surgir dentro de uma sala de aula, pode-se equiparar esta aprendizagem  a outras em outros contextos atrevendo-me a dizer que em qualquer lugar e em qualquer situação são boas formas de aprendizagem.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

5 frases sobre educação segundo Freire

Um vídeo simples mas que diz muita coisa e faz pensar. A educação é um desafio, um caminho a percorrer.

http://www.youtube.com/watch?feature=fvwp&v=5wI3Mnd08s4&NR=1


Sugiro este vídeo para demonstrar que ensinar e aprender não é apenas ler e escrever. Também aprendemos através da visão, olhando aquilo que nos rodeia. Este, é uma aprendizagem ao longo da vida. Freire apresenta-nos algumas opiniões acerca da aprendizagem, sobre a forma de educar. Através daquilo que vi e li, tive a necessidade de repensar qual é o meu papel enquanto animador socioeducativo junto dos grupos com que vou trabalhar. Neste momento da minha vida reparei que estou a aprender para ensinar outros a aprender criando assim um ciclo de aprendizagem que teve um inicio mas não terá um fim.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Quem sou eu?

 Que pergunta tão complicada de responder porque eu acho que não sou, mas sim, vou sendo.Vou sendo porque estou em construção,vou-me adaptando ás situações e em cada situação eu sou uma coisa diferente. Também considero que em cada situação, eu sou de extremos porque posso ser extremamente isto ou aquilo.Quem sou? pergunto eu e perguntam vocês e a resposta? A resposta vai sendo escrita consoante as reacções que tenho em cada situação e não sou só eu que respondo, vocês estão a ajudar-me a responder......


*Neste texto apresentam-se algumas ideias de uma aprendizagem ao longo da vida em todas as etapas da minha vida nomeadamente quando digo que não sou mas sim vou sendo porque estou em construção. O que digo faz todo o sentido para mim, pois durante o percurso da vida através do contacto que tenho com outras pessoas e em vários contextos onde existem outros valores, outras praticas influencia e muda aquilo que sou. Neste processo de aprendizagem eu sou actor e represento uma personagem em que a sociedade onde estou inserido me obriga a representar.